O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que vai adiar seus planos de se afastar temporariamente do comando do Palácio Alencastro após a vice-prefeita, Vânia Rosa, trocar o Novo pelo MDB, legenda que faz base de apoio ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante coletiva na tarde de hoje (2), Abilio foi enfático ao declarar que não pretende entregar a cadeira de prefeito aos adversários.
"No que depender de mim, o MDB não assume a Prefeitura de Cuiabá", disparou o prefeito. Inicialmente, Abilio planejava se licenciar do cargo para reforçar a campanha de sua esposa, a vereadora e pré-candidata à deputada estadual Samantha Íris (PL).
"Está no meu planejamento a possibilidade disso acontecer. Agora, eu vou avaliar a todo momento a circunstância. Pode ser que, na hora, a gente opte pelo melhor caminho de se manter na Prefeitura", explicou o gestor.
A movimentação de Vânia Rosa pegou o prefeito de surpresa. Segundo Abilio, não houve diálogo prévio sobre a troca de sigla e ele teria tomado conhecimento da decisão "pelas redes sociais, como todo mundo".
Ao comentar a nova afiliação da vice, o prefeito não poupou críticas à sigla emedebista, associando-a à gestão de seu antecessor e adversário político, Emanuel Pinheiro.
"Para mim o MDB é um péssimo partido. Não me representa, não representa o Brasil. É a base do presidente Lula e o partido do Emanuel Pinheiro aqui em Cuiabá. Eu não concordo com o partido", afirmou Brunini.
Embora tenha evitado tecer comentários pessoais sobre a escolha de Vânia, Abilio deixou claro que a aliança administrativa sofreu um abalo técnico.
Agora, o prefeito deve monitorar o cenário eleitoral antes de decidir se levará adiante o projeto de afastamento ou se permanecerá no posto para evitar que a estrutura municipal volte ao controle do MDB.
"Não negociamos fatias"
O Diretório Estadual do Partido Novo, representado pelo presidente Rafael Iacovacci, emitiu uma nota de esclarecimento nesta segunda-feira (2), contestando as justificativas da vice-prefeita para a desfiliação.
A legenda rebatou as narrativas de falta de suporte ou isolamento feminino, pontuando que ofereceu amparo técnico e jurídico às demandas de Vânia.
O partido revelou que a saída foi informada apenas via imprensa, o que classificou como uma "quebra de confiança e de respeito institucional".
De acordo com a sigla, o Novo não aceita "negociar fatias de poder" e reforçou que o protagonismo feminino é realidade na legenda, citando lideranças como a presidente estadual Gleci Teixeira e Mirtes da Transterra.




