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Como encontros presenciais com Trump podem virar 'armadilha' para líderes estrangeiros — e quais os perigos para Lula

Publicada em: 02/10/2025 13:06 -

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderá ter uma reunião com seu homólogo americano, Donald Trump, em breve.

A possibilidade, em meio à atual tensão entre Brasil e Estados Unidos, surgiu após os dois líderes trocarem um abraço e algumas palavras em um breve encontro nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira (23/9).

Ainda não há detalhes sobre a data nem o formato da conversa, que está sendo planejada pelas equipes diplomáticas. Acredita-se que possa ser um telefonema ou videoconferência, mas Lula não descarta um encontro presencial.

Espera-se que Lula viaje para Roma em 13 de outubro para participar de um evento da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e para Kuala Lumpur, na Malásia, no dia 25 como convidado para um encontro de líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Trump pode participar de um desses eventos — ou ambos, e pessoas ligadas ao governo brasileiro especularam que os dois presidentes poderiam se reunir na Itália ou na Malásia.

A ideia de uma reunião em Washington, porém, traz riscos, diante do histórico de Trump de transformar visitas à Casa Branca em um "espetáculo", no qual líderes estrangeiros não raro são confrontados e humilhados publicamente.

Trump, que antes de chegar à Presidência foi apresentador do reality show O Aprendiz, costuma conduzir essas reuniões no Salão Oval diante das câmeras.

É comum que se desvie do tópico principal, muitas vezes com críticas e acusações inesperadas ao interlocutor. Em algumas ocasiões, fala em público sobre temas discutidos a portas fechadas.

A imprevisibilidade desses encontros, apelidados por funcionários e jornalistas que circulam pela Casa Branca de "O Show de Trump", transformou o que sempre foi visto como uma oportunidade de se aproximar do líder da maior potência global em uma potencial armadilha.

"(Um encontro presencial entre Lula e Trump) seria altamente arriscado, dado o histórico de Trump de tentar humilhar alguns dos (líderes) que percebe como antagonistas", diz à BBC News Brasil o historiador político Matthew Dallek, professor da Universidade George Washington.

"Como Trump é tão volátil, acho que podemos dizer, com algum grau de confiança, que qualquer líder estrangeiro que se encontre com ele em Washington terá de ter uma estratégia muito bem pensada sobre como bajulá-lo e cair nas suas graças", afirma.

Segundo Dallek, um dos desafios para Lula seria o fato de o encontro ocorrer após meses de críticas de Trump — que impôs tarifas comerciais e sanções ao Brasil em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado ideológico do republicano.

"Em termos de interferência nos assuntos internos, Trump tem sido mais agressivo com o Brasil do que com a maioria dos outros países, especialmente em relação ao julgamento de Bolsonaro", ressalta.

"E Lula tem sido muito defensor da soberania brasileira. Tem sido um dos líderes globais mais vigorosos em rebater Trump", observa Dallek. "Tudo isso sugere que qualquer encontro (de Lula) com Trump seria muito tenso."

Leia mais em BBC News Brasil

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